Você, como diversas pessoas, já tentou manter uma alimentação equilibrada, organizada e controlada, sem sucesso? Ou até conseguiu por um determinado período, mas depois voltou a comer de forma exagerada ou sem critério? Por que será que isso acontece?

Seguir um plano alimentar pode parecer uma tarefa muito difícil, quase impossível, para algumas pessoas, especialmente quando parece que elas já tentaram de diversas maneiras e nada surtiu efeito.

Para sair de uma vez por todas do efeito sanfona, é preciso basicamente uma coisa: mudar a maneira como você pensa a alimentação e o emagrecimento. Isto significa aprender a estar na liderança da sua mente, identificando as “trapaças mentais”, os pensamentos distorcidos e as emoções consideradas desagradáveis de sentir para aprender a lidar melhor com eles. A partir disso, você vai conseguir construir uma nova maneira de se alimentar.

Então você pode me perguntar: mas como posso construir uma nova maneira de me alimentar?

Primeiro, você precisará detectar os pensamentos e comportamentos que lhe impedem de progredir em direção a essa mudança, estar consciente deles. Todos sabemos de forma geral o que é preciso fazer para emagrecer. A dificuldade não é essa. A dificuldade é que não conseguimos fazer o que é preciso fazer para emagrecer, porque nosso inconsciente age sobre nossas atitudes. Para isso precisamos de ajuda profissional, de um nutricionista comportamental e/ou um terapeuta cognitivo-comportamental.

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Muitas vezes, inconscientemente, você tem pensamentos que acabam sabotando o seguimento do seu plano alimentar. São ideias como: “tive um dia estressante, hoje eu mereço comer livremente; vou comer só hoje, amanhã volto a seguir o plano alimentar; já que comi errado mesmo, vou seguir assim até o fim do dia”… Você precisa descobrir os reais motivos que estão por trás do seu ato de comer exageradamente. O que não pode acontecer é você se tornar escravo de seus pensamentos e usar fatos (briguei com meu namorado, discuti com meu chefe no trabalho, etc) para sabotar seu plano alimentar e o seu emagrecimento.

Este tipo de abordagem, dos pensamentos, para emagrecer é baseado na terapia cognitiva (TCC – terapia cognitiva comportamental). Aaron T. Beck descobriu, no final dos anos 1950, uma nova forma de tratar pacientes deprimidos, modificando os seus padrões de pensamentos distorcidos e comportamentos. A terapia cognitiva, como ficou conhecida, auxilia no tratamento de diversos distúrbios, sejam eles de ansiedade, depressão, fobias, transtornos alimentares, entre muitos outros. A grande vantagem desta abordagem, sendo aplicada na mudança do comportamento alimentar, por exemplo, não é apenas o emagrecimento, mas a manutenção do peso conquistado. Isso é o que a diferencia de outros tipos de terapia ou programas de emagrecimento. Ou seja, seguir uma dieta – independente do quão restritiva seja – sem mudar a forma como você se relaciona com a comida, será algo simplesmente temporário na sua rotina, na sua vida, uma abordagem muito superficial. Por isso, a abordagem cognitivo-comportamental para emagrecimento auxilia a seguir o plano alimentar, independente do que acontecer na sua vida (dias estressantes, decepções, ansiedade, pressão social, etc). Caso contrário, você será eternamente refém dos seus pensamentos distorcidos e acontecimentos cotidianos.

Assim, a abordagem cognitiva vai ajudar você a identificar os pensamentos distorcidos sobre comer, comida, emagrecimento e responder a eles de maneira mais saudável, funcional e positiva.

Nutrição comportamental e mudança da relação com a comida: a melhor “dieta” para emagrecer.