Nutricionista Adriana Lauffer

dismotilidade esofágica

Dismotilidade esofágica

Dismotilidade esofágica é um distúrbio do movimento do esôfago que afeta a capacidade de propulsão adequada dos alimentos e do líquido ao longo do esôfago.

Sintomas

A dismotilidade esofágica é um distúrbio em que os movimentos coordenados e regulares do esôfago são comprometidos, resultando em dificuldade na passagem do alimento para o estômago. Os sintomas comuns da dismotilidade esofágica podem incluir:

  1. Disfagia: dificuldade para engolir, principalmente com alimentos sólidos.
  2. Regurgitação: sensação de que o alimento ou líquido está retornando do esôfago para a boca.
  3. Dor torácica: dor ou desconforto no peito, que pode ser confundida com dor cardíaca.
  4. Sensação de obstrução: sensação de que o alimento fica preso no esôfago.
  5. Azia: sensação de queimação no peito ou na garganta, causada pelo refluxo ácido.
  6. Refluxo gastroesofágico: retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, podendo causar sintomas como azia e regurgitação ácida.
  7. Perda de peso: em casos mais graves, a dificuldade em ingerir alimentos pode levar à perda de peso não intencional.

É importante ressaltar que os sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Além disso, o diagnóstico preciso deve ser feito por um médico com base na avaliação clínica, exames e testes adequados.

Causas

A dismotilidade esofágica pode ter várias causas e muitas vezes a causa exata não é identificada. No entanto, algumas das possíveis causas incluem:

1. Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): o refluxo ácido crônico pode levar a alterações na motilidade esofágica ao longo do tempo.

2. Esclerodermia: uma doença autoimune que pode afetar o esôfago e causar dismotilidade esofágica.

3. Acalasia: um distúrbio neuromuscular do esôfago que leva a uma função anormal do esfíncter esofágico inferior e dificuldade na passagem dos alimentos.

4. Distúrbios neuromusculares: condições como miopatias, neuropatias e doenças neuromusculares podem interferir na função muscular normal do esôfago.

5. Diabetes mellitus: a diabetes pode afetar os nervos que controlam os músculos do esôfago, resultando em dismotilidade esofágica.

6. Efeitos colaterais de medicamentos: alguns medicamentos podem interferir na motilidade esofágica, como certos medicamentos para pressão arterial, sedativos e antidepressivos tricíclicos.

7. Infecções: infecções virais, bacterianas ou fúngicas no esôfago podem causar inflamação e dismotilidade temporária.

8. Cirurgias anteriores: alguns tipos de cirurgias esofágicas ou gástricas podem causar dismotilidade esofágica como efeito colateral.

9. Idiopática: em alguns casos, a dismotilidade esofágica ocorre sem uma causa específica identificável e é considerada idiopática.

É importante ressaltar que essas são apenas algumas das possíveis causas de dismotilidade esofágica, e cada caso pode ter características individuais. O diagnóstico adequado e a identificação da causa subjacente são essenciais para determinar o melhor plano de tratamento.

Dismotilidade esofágica e disfagia

A dismotilidade esofágica pode causar disfagia, que é a dificuldade ou a sensação de obstrução na deglutição. Visto que a dismotilidade esofágica é um distúrbio do movimento do esôfago que afeta a capacidade de propulsão adequada dos alimentos e líquidos ao longo do esôfago, isso pode resultar em sintomas como dificuldade para engolir, sensação de comida presa na garganta ou no peito, regurgitação de alimentos não digeridos e dor ao engolir.

Existem diferentes tipos de dismotilidade esofágica, como a hipomotilidade, que envolve movimentos peristálticos lentos ou fracos do esôfago, e a discinesia esofágica, caracterizada por contrações descoordenadas e irregulares do esôfago. Ambos os tipos podem levar à disfagia.

A disfagia relacionada à dismotilidade esofágica pode variar em gravidade, desde dificuldade ocasional para engolir até problemas significativos na ingestão de alimentos e líquidos. O tratamento para a disfagia causada pela dismotilidade esofágica pode envolver ajustes na dieta, terapia de dilatação esofágica ou, em casos mais graves, a consideração de procedimentos cirúrgicos.

Possibilidades de tratamento

O tratamento para dismotilidade esofágica pode variar dependendo da gravidade dos sintomas e das causas subjacentes. Alguns dos possíveis tratamentos incluem:

  • Mudanças na dieta: ajustes na alimentação, como evitar alimentos que desencadeiam sintomas, comer refeições menores e mais frequentes, mastigar bem os alimentos e evitar deitar-se imediatamente após as refeições.
  • Medicamentos: em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos para ajudar a melhorar o movimento do esôfago e controlar os sintomas. Isso pode incluir medicamentos para reduzir o refluxo ácido, promover a motilidade esofágica ou aliviar a dor e a inflamação.
  • Terapia de dilatação esofágica: em casos de estreitamento do esôfago (estenose), a terapia de dilatação esofágica pode ser realizada para alargar a passagem do esôfago e melhorar o fluxo dos alimentos.
  • Cirurgia: em casos mais graves ou resistentes ao tratamento conservador, a cirurgia pode ser considerada. A fundoplicação, por exemplo, é um procedimento cirúrgico utilizado para tratar a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) que pode estar associada à dismotilidade esofágica.

É importante discutir com um médico especialista em gastroenterologia para um plano de tratamento adequado às suas necessidades individuais. Afinal, cada caso é único, e o tratamento deve ser personalizado com base nas características específicas da dismotilidade esofágica apresentada.

Tratamento com fonoaudiologia

O tratamento com fonoaudiologia pode ajudar a melhorar a disfagia relacionada à dismotilidade esofágica. A atuação do fonoaudiólogo no tratamento da disfagia envolve a avaliação e a reabilitação das funções de mastigação e deglutição.

Um fonoaudiólogo especializado em disfagia poderá avaliar a função de deglutição, identificar os pontos de dificuldade e desenvolver um plano de tratamento personalizado. O tratamento pode incluir exercícios de fortalecimento e coordenação muscular, técnicas de posicionamento e postura adequada durante a alimentação, estratégias de modificação da consistência dos alimentos e ensino de técnicas de deglutição seguras.

O fonoaudiólogo também pode fornecer orientações sobre o manejo da dieta e a adaptação dos alimentos para torná-los mais fáceis de engolir. Eles trabalham em colaboração com outros profissionais de saúde para fornecer um tratamento abrangente e integrado.

É importante destacar que o tratamento da disfagia relacionada à dismotilidade esofágica é individualizado, e a abordagem terapêutica dependerá das características específicas de cada paciente. Portanto, é recomendado buscar um fonoaudiólogo especializado em disfagia para uma avaliação completa e um plano de tratamento adequado.

Tratamentos medicamentosos

Existem alguns medicamentos que podem ser utilizados no tratamento da dismotilidade esofágica e da disfagia, dependendo das causas subjacentes e dos sintomas apresentados. Alguns dos medicamentos comumente utilizados no tratamento da dismotilidade esofágica e da disfagia incluem:

  • Inibidores da bomba de prótons (IBPs): esses medicamentos, como o omeprazol e o esomeprazol, são frequentemente prescritos para reduzir a produção de ácido no estômago e controlar os sintomas de refluxo ácido associados à dismotilidade esofágica, quando é o caso.
  • Procinéticos: são medicamentos como a metoclopramida, a domperidona e a eritromicina podem ser utilizados para estimular os movimentos peristálticos do esôfago e melhorar a motilidade esofágica. Eles podem ajudar a facilitar a passagem dos alimentos pelo esôfago.
  • Relaxantes musculares: em alguns casos, medicamentos relaxantes musculares, como a nifedipina ou o diltiazem, podem ser prescritos para aliviar a dor e o desconforto causados por espasmos musculares no esôfago.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: em casos de inflamação ou dor associada à dismotilidade esofágica, analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser prescritos para aliviar os sintomas.

É importante ressaltar que cada caso é único, e o tratamento medicamentoso deve ser individualizado de acordo com as características específicas do paciente.

Prognóstico

O prognóstico da disfagia por dismotilidade esofágica pode variar dependendo da gravidade dos sintomas, das causas subjacentes e da resposta ao tratamento. Em muitos casos, a disfagia causada pela dismotilidade esofágica pode ser gerenciada com sucesso por meio de abordagens terapêuticas adequadas.

Com o tratamento adequado, incluindo modificações na dieta, terapia de dilatação esofágica, medicamentos e/ou intervenções cirúrgicas quando necessário, é possível melhorar significativamente a capacidade de deglutição e reduzir os sintomas associados à disfagia. No entanto, é importante ressaltar que a dismotilidade esofágica é uma condição crônica e, em alguns casos, pode requerer tratamento contínuo e acompanhamento médico de longo prazo.

Em alguns casos mais graves, a disfagia pode persistir mesmo com o tratamento adequado, exigindo estratégias de gerenciamento a longo prazo, como adaptações na dieta ou uso de técnicas compensatórias durante a alimentação. Em outros casos, a disfagia pode ser um sintoma de uma condição subjacente mais complexa, como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ou esclerodermia, que pode influenciar o prognóstico geral.