Talvez você não esteja se sentindo tentado a comer exageradamente hoje ou neste momento, mas a “tentação” poderá surgir em alguma situação que estimule o seu impulso ou a sua gula, e a questão é que para ter sucesso na sua meta de emagrecer e manter-se magro, é preciso se “acostumar” a não comer além da quantidade estabelecida adequada ou necessária.

Se você tem o hábito de comer em casa, pode sentir-se atraído pela ideia de repetir o prato. Em restaurantes, a oferta é grande e mesmo sabendo que serviu quantidades a mais no seu prato, você pode sentir-se compelido a comer para não deixar sobras no prato ou por que pagou. Uma das formas de se “curar” de algo é justamente enfrentando “a coisa”. Por exemplo, uma das terapias para quem tem medo de andar de elevador, é justamente andar de elevador.

A sugestão aqui é praticar não comer exageradamente, que seria comer além da quantidade que o seu estômago sinaliza que já foi suficiente. Você pode praticar isso colocando intencionalmente no seu prato em determinada refeição uma quantidade maior de comida do que você planejou comer. Empurre para um canto do prato as porções extras e coma apenas a quantidade necessária.

Se você sentir vontade de comer as porções extras, lembre-se dos motivos pelos quais você quer emagrecer, e treine o controle mental. Lembre-se do bem estar e felicidade que você sentirá por não ter comido exageradamente, lembre-se de como você se sente quando come exageradamente (culpa, remorso, raiva, desânimo, sensação de fracasso, auto-confiança abalada, acreditando que emagrecer é muito difícil e que nunca conseguirá atingir esse objetivo). Dê uma olhada no seu passado e reflita sobre as conseqüências de comer exageradamente. Você se sente feliz por ter comido desta forma, considerando o seu peso atual? Ou você lamenta tudo isso? Pergunte-se: Estarei feliz por ter comido exageradamente daqui a 10 minutos? Vale a pena?

Quando tiver terminado de comer a porção planejada, levante-se, lave o seu prato, coloque as sobras no lixo ou guarde para outra refeição, escove os dentes. Se você desempenhar este exercício com facilidade, não será necessário repeti-lo. Se você enfrentou dificuldade e acabou comendo, elogie-se por ter tentado, observe o que aprendeu com esta prática, e continue repetindo o exercício até que ele se torne fácil para você.

Por toda a sua vida, espere encontrar muitas situações nas quais você não terá controle total sobre a comida que servirão a você (restaurantes, eventos, casa de amigos ou de familiares) e então você será beneficiado por esta prática, pois estará “treinado” e não se sentirá “tentado” a comer exageradamente. Coisa boa poder participar dos eventos e comer coisas gostosas, mas sem exagerar, não é mesmo? Que bom ter essa sensação de comando, e ir para casa feliz por ter comido e por não ter exagerado.

Você pode estar tendo o seguinte pensamento sabotador: “Não preciso deste treinamento. Eu consigo parar de comer na hora certa”. Então responda adaptativamente para si mesmo: “Essa experiência pode não parecer tão importante, em todo caso eu deveria tentar. A pior coisa que pode acontecer é eu não ter precisado fazê-lo. Posso não aprender nada com ele, mas também posso aprender muito”. Outro exemplo de pensamento sabotador: “Eu não vou fazer este exercício por que odeio desperdiçar comida deliberadamente”. Pense adaptativamente: “O que é melhor, desperdiçar comida deliberadamente ou comer exageradamente e engordar? A verdade é que a porção extra de comida será desperdiçada de qualquer forma: em meu corpo ou no lixo. Não importa o que eu ouvi dos meus pais quando eu era criança, comer demais não vai solucionar o problema das pessoas que morrem de fome ao redor do mundo e comer exageradamente não contribuiu para que eu mantivesse um peso saudável. E, de qualquer forma, existem outras soluções para este resto de comida: posso guardar, congelar, dar para o cachorro, para o mendigo ou, em último caso, colocarei fora”.

Esse texto foi escrito baseado no meu método de atendimento para emagrecimento: coaching, nutrição comportamental e abordagem cognitivo comportamental para reeducação alimentar.