Espelta é uma espécie de grão que pode substituir o trigo. Ela também é chamada de trigo-vermelho e já foi muito consumida em algumas regiões da Europa antigamente. Então, no começo do século XX, era muito comum em países como Alemanha, Suíça e Áustria. O grão mantinha-se muito resistente no campo e adaptava-se a solos e climas desfavoráveis, porém apresentava um baixo rendimento. Foi aí que todas as atenções se concentraram no trigo!

Espelta é parente do trigo

Podemos dizer que a espelta é prima do trigo: é o Triticum spelta! O trigo que usamos no Brasil para produção de pães é o Triticum aestivum. Já o mais indicado para a produção de massas é o Triticum durum. As subespécies de Triticum têm surgido como opções ao trigo comum. Ambos possuem propriedades tecnológicas diferentes e são adequados a diferentes produtos. Aqui no Brasil a espelta não é muito divulgada, porém aos poucos vem ganhando espaço na mesa dos brasileiros, sendo acrescentada nas receitas tradicionais.

espelta na plantação

Espelta e seus benefícios

A espelta e outros grãos “primos” possuem um maior conteúdo de proteína, lipídeos, fibra solúvel e minerais quando comparados ao trigo comum. Ela é nutricionalmente mais rica que o trigo, por ter fibras, vitaminas do complexo B e ter a presença de diversos minerais como o Cobre, Magnésio, Fósforo e o Ferro. Seu alto teor de proteínas também faz ela ganhar reconhecimento, além de ser hidrossolúvel e de fácil digestão. Outro benefício, é as vitaminas do complexo B, servindo para a melhora do sistema imune, visto que este grão é rico em Vitamina B3 que possui ação bacteriana ajudando o corpo na defesa contra possíveis doenças.

O consumo desse grão traz várias vantagens para a saúde. Pode ser útil para quem deseja melhorar o trânsito intestinal e a regular o índice glicêmico, por conter fibras. Por ser hidrossolúvel e de fácil digestão, podemos dizer que este grão consegue acelerar o metabolismo e dessa maneira reduzir o LDL (colesterol ruim). Ele possui pouca quantidade de glúten, facilitando a digestão.

Como usar a espelta

A farinha, se comparada com a de trigo contem menos glúten, podendo ser utilizada pelos pacientes com intolerância leve em qualquer receita. O “problema” da espelta é que o tipo de proteína do grão não permite a obtenção de pães tão macios quanto os pães produzidos com trigo. Isso se deve às prolaminas das espelta, uma das proteínas envolvidas na formação da rede do glúten.

Este grão possui um sabor adocicado e pode ser consumido de várias maneiras e ser adicionado a diversas receitas. Em casas de produtos naturais, podemos encontrar em formas de grão, farinha ou broto. O grão pode ser acrescentado nas sopas. Por fim, o broto devido a germinação é capaz de destruir amidos resistentes facilitando a digestão, ele pode ser cozido e servido como acompanhamentos nas saladas de legumes, por exemplo.

Agora que já descobrimos os benefícios para a saúde, que tal provarmos uma receita com a farinha de espelta?

Receita com farinha de espelta

Panqueca de framboesa

Ingredientes:

1/2 queijo minas, 1 ovo, 2 colheres de sopa de açúcar mascavo, 6 colheres de sopa de farinha de espelta, 1 colher de chá de fermento em pó,  80 ml de leite, 1 colher de sopa de óleo arroz ou de algodão, framboesas in natura, iogurte natural para acompanhar.

Preparação:

Num robot de cozinha ou num liquidificador, triture o queijo minas. Junte o ovo, o óleo e o leite e misture bem.
Adicione a farinha, o açúcar, o fermento. Envolva bem os ingredientes de forma a que fique uma massa bem homogênea. Numa fritadeira anti-aderente, coloque um pouco de massa, apenas para cobrir o fundo da frigideira.
Adicione algumas framboesas. Quando começar a massa a borbulhar, vire para que cozinhe do outro lado.  Sirva com iogurte natural.

Fonte da receita: blog Meu Report

Se você gostou da espelta, poderá gostar do sorgo e farinha de teff.

Esse texto teve a participação da engenheira de alimentos Dra Carolina Assumpção.