A gastrite afeta milhões de pessoas em todo o mundo e representa uma das principais queixas gastroenterológicas. Esta condição inflamatória da mucosa gástrica provoca sintomas desconfortáveis como dor epigástrica, queimação, náuseas e sensação de estômago cheio. Felizmente, uma dieta adequada pode reduzir significativamente esses sintomas e promover a cicatrização da mucosa inflamada. Nesse post vamos ver como a dieta para gastrite pode ajudar a aliviar os sintomas.
O que é gastrite e como a alimentação influencia
A gastrite consiste na inflamação da parede interna do estômago, causada principalmente pela bactéria Helicobacter pylori, uso prolongado de anti-inflamatórios, álcool ou estresse. Neste contexto, a alimentação desempenha um papel fundamental no controle da acidez gástrica e na redução da irritação da mucosa.
Consequentemente, escolher os alimentos corretos pode acelerar o processo de recuperação e prevenir crises agudas da doença.
Sintomas comuns da gastrite
Os sintomas de gastrite podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem:
Dor e desconforto abdominal:
- Dor na região epigástrica (parte superior do abdome, “boca do estômago”)
- Sensação de queimação ou ardência no estômago
- Dor que pode piorar ou melhorar ao comer
Problemas digestivos:
- Náuseas e vômitos
- Sensação de estômago cheio mesmo com pouca comida
- Perda de apetite
- Digestão lenta e pesada
- Gases e distensão abdominal
Outros sintomas frequentes:
- Azia e refluxo
- Arrotos frequentes
- Sabor amargo ou ácido na boca
- Mal-estar geral
Sintomas de gastrite aguda vs. crônica
Gastrite aguda:
- Sintomas aparecem subitamente
- Dor intensa e queimação
- Náuseas e vômitos mais pronunciados
- Pode haver sangramento (vômitos com sangue ou fezes escuras)
Gastrite crônica:
- Sintomas mais leves mas persistentes
- Desconforto contínuo
- Perda de apetite prolongada
- Pode levar à anemia por deficiência de vitamina B12
Alimentos recomendados para gastrite
Proteínas magras e de fácil digestão
As carnes magras não sobrecarregam a digestão. Portanto, inclua em sua dieta frango sem pele, peixe branco como tilápia e linguado, ovos cozidos, patinho moído e tofu.
Carboidratos de fácil digestão
Os carboidratos de fácil digestão não estimulam excessivamente a produção de ácido gástrico. Assim, priorize: arroz branco, batata cozida ou assada, mandioca, mandioquinha, macarrão sem molhos, pão branco torrado, biscoito cream cracker.
Vegetais e frutas
Priorize vegetais e frutas de fácil digestão. Por isso, dê preferência a: cenoura cozida, abobrinha, moranga, chuchu, banana, maçã sem casca, mamão, pera.
Laticínios com moderação
Prefira laticínios com baixo teor de gordura, por terem digestão facilitada, como iogurte natural, queijo branco ou muçarela e leite desnatado.
Alimentos a evitar durante a gastrite
Alimentos ácidos e irritantes
Estes alimentos estimulam a produção de ácido gástrico e irritam diretamente a mucosa inflamada e, por isso, devem ser evitados: frutas cítricas, como laranja, limão, abacaxi, kiwi, etc; tomate e molho de tomate, vinagres, alimentos picantes, pimentas.
Bebidas estimulantes
As bebidas estimulantes aumentam a produção de ácido clorídrico no estômago. Dessa forma, evite: café (mesmo o descafeinado pode irritar a mucosa gástrica), chá preto e mate, refrigerantes e bebidas alcoólicas.
Alimentos gordurosos e processados
As gorduras retardam o esvaziamento gástrico e estimulam a produção de ácidos. Portanto, elimine: frituras, carnes gordas, embutidos, alimentos ricos em gordura de forma geral.
Comportamento alimentar e gastrite
Frequência e horários das refeições
Faça refeições menores e mais frequentes ao longo do dia. Desta maneira, você evita longos períodos de jejum que estimulam a produção excessiva de ácido gástrico. Idealmente, alimente-se a cada 3 horas em pequenas porções.
Mastigação eficiente
Procure comer devagar e mastigar bem alimentos para facilitar a digestão. Para isso, acalme a mente antes de começar a comer e evite distrações enquanto se alimenta.
Métodos de preparo dos alimentos
Os métodos de cocção influenciam diretamente na digestibilidade dos alimentos. Consequentemente, prefira alimentos cozidos a vapor, grelhados, ensopados e assados. Dessa forma, reduz-se significativamente a quantidade de gordura. Lembre-se de usar temperos suaves.
Hidratação adequada
Mantenha-se bem hidratado, mas evite beber líquidos durante as refeições. Portanto, consuma água entre as refeições para não diluir os sucos gástricos necessários à digestão.
Fatores que podem agravar os sintomas da gastrite
- Jejum prolongado
- Consumo de álcool
- Alimentos ácidos ou picantes
- Medicamentos anti-inflamatórios
- Estresse e ansiedade
- Tabagismo
É importante lembrar que os sintomas de gastrite podem ser confundidos com outras condições digestivas. Por isso, se você apresenta sintomas persistentes por mais de alguns dias, é recomendável buscar avaliação médica para um diagnóstico preciso e tratamento adequado.
Quando buscar orientação médica
Embora as mudanças dietéticas sejam fundamentais, procure orientação médica se os sintomas persistirem por mais de duas semanas.
Procure atendimento médico imediato se apresentar:
- Vômito com sangue ou aspecto de “borra de café”
- Fezes escuras ou com sangue
- Dor abdominal intensa e súbita
- Sinais de desidratação
- Febre alta
- Perda de peso inexplicada
Finalmente, lembre-se de que cada pessoa responde de forma diferente aos alimentos. Portanto, mantenha um diário alimentar para identificar quais alimentos específicos podem estar causando seus sintomas.
Conclusão
Uma dieta adequada para gastrite deve priorizar alimentos de fácil digestão, evitar irritantes gástricos e manter horários regulares de alimentação. Simultaneamente, é essencial combinar essas mudanças alimentares com o tratamento médico adequado para obter os melhores resultados.
A recuperação da gastrite requer paciência e consistência nas escolhas alimentares. Portanto, implemente gradualmente essas mudanças e monitore como seu corpo responde a cada alimento. Com dedicação e orientação adequada, é possível controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.
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