Nutricionista Adriana Lauffer

alimentação e ferritina alta

Dieta para ferritina alta

Uma dieta para baixar os níveis de ferritina no sangue, especialmente quando relacionada a condições como hemocromatose ou sobrecarga de ferro, visa reduzir a ingestão especialmente de alimentos ricos em ferro heme, presentes principalmente em carnes vermelhas e vísceras, além de evitar o consumo de suplementos de ferro e vitamina C.

É importante ressaltar que os níveis de ferritina podem ser influenciados por várias condições, incluindo doenças hepáticas, inflamações, infecções, distúrbios genéticos do metabolismo do ferro (como a hemocromatose) e outros fatores. Portanto, uma avaliação médica completa é necessária para interpretar os resultados dos testes de ferritina de forma adequada e determinar se há alguma ação necessária em relação aos níveis de ferro no organismo.

O que é ferritina

A ferritina é uma proteína intracelular presente em muitos tipos de células, especialmente nas células do fígado, baço e medula óssea. Ela desempenha um papel crucial no armazenamento e liberação controlada de ferro no organismo, de forma a armazenar o ferro de maneira segura, protegendo o organismo contra os efeitos adversos do excesso de ferro. Portanto, quando os níveis de ferro estão altos no organismo, ele é capturado pela ferritina e armazenado dentro de sua estrutura. Conforme o corpo precisa de ferro, a ferritina libera o ferro armazenado de maneira controlada.

Sintomas de ferritina alta

Os principais sinais e sintomas: dores nas articulações, fadiga, falta de energia, perda de peso, mudança na coloração da pele (tonalidade bronzeado), dor abdominal, perda do desejo sexual, atrofia testicular, perda de pêlo corporal, problemas cardíacos, sintomas relacionados com o início do diabetes. Resumindo, o excesso de ferro resulta em danos teciduais e prejuízo funcional dos órgãos envolvidos, especialmente fígado, pâncreas, coração e hipófise.

Exame de ferritina

O excesso de ferro no sangue é medido pelo exame de ferritina, que mostra o nosso estoque de ferro no nosso corpo. O excesso de ferro no sangue é mais comum em homens do que em mulheres. No entanto, quando acontece em mulheres normalmente é naquelas em que o fluxo menstrual é muito pequeno ou que não menstruam.

Quando a ferritina alta é a doença hemocromatose

Níveis elevados de ferritina no sangue podem ser um sinal de vários problemas de saúde, incluindo a hemocromatose. No entanto, é importante destacar que a ferritina alta não é um diagnóstico definitivo de hemocromatose por si só, pois existem várias outras condições médicas e fatores que também podem resultar em níveis elevados de ferritina.

A hemocromatose é uma doença genética caracterizada pelo acúmulo excessivo de ferro no organismo devido a uma absorção anormalmente alta de ferro a partir da dieta. Quando o diagnóstico de hemocromatose é suspeito devido a níveis elevados de ferritina, é essencial realizar exames médicos mais abrangentes, incluindo exames genéticos e outros testes específicos para confirmar a presença da doença.

Quando é preciso fazer sangria

Para os médicos, entre os pacientes homens, níveis de ferritina maiores de 800 já são considerados bastante preocupantes e, entre pacientes mulheres, acima de 400. Nesses casos, os pacientes são normalmente encaminhados ao hematologista para realizar exames mais específicos e para saber se há genética para a doença hemocromatose. O tratamento costuma ser sangria (retirar sangue periodicamente) e cuidados com alimentação.

Dieta para ferritina alta

O mito de que as pessoas com hemocromatose devem evitar completamente alimentos ricos em ferro não heme não é inteiramente preciso. O consenso internacional sobre Hemocromatose, organizado pela Associação Européia para o Estudo do Fígado, NÃO indica a adoção de dieta estritamente pobre em ferro. No entanto, recomenda:

  • Evitar alimentos com alto teor de ferro heme;
  • Evitar suplementos que contenham ferro;
  • Evitar vitamina C, pois aumenta a absorção intestinal de ferro não heme;
  • Bebidas alcoólicas, pois podem acelerar o dano hepático;
  • Frutos do mar (principalmente ostras cruas), responsáveis por casos de infecções fatais geradas por sua contaminação com Vibrio vulnificus em pessoas com hemocromatose.

Ferro heme e não heme

As diferenças entre ferro heme e não heme residem em sua origem e biodisponibilidade. O ferro heme, encontrado predominantemente em produtos de origem animal como carne vermelha, peixe, aves e gema de ovo, é mais facilmente absorvido pelo corpo humano devido à sua estrutura semelhante à hemoglobina.

Por outro lado, o ferro não heme, presente em alimentos vegetais como leguminosas, vegetais de folhas verdes e grãos integrais, é pobremente absorvido, devido à influência de compostos inibidores de absorção (como os fitatos) e à falta da estrutura heme. Para melhorar a absorção de ferro não heme, é aconselhável combinar esses alimentos com fontes ricas em vitamina C, que aumentam a absorção do mineral.

Como diminuir a absorção de ferro pelo organismo

Alguns nutrientes e substâncias encontrados nos alimentos são conhecidos por dificultar a absorção do ferro, atuando como agentes quelantes.  Veja abaixo:

  • Fitatos, que são fatores anti nutricionais encontrados em cereais e grãos;
  • Fibras, encontradas em farelos, cereais e grãos integrais, frutas e verduras;
  • Taninos e cafeína, que são encontrados em chás e no café;
  • Cálcio, pois compete pelos mesmos sítios de absorção que o ferro na membrana celular;
  • Ácido oxálico, encontrado no espinafre, por exemplo, forma sais insolúveis com o ferro dificultando a absorção do mineral;
  • Evitar alimentos ricos em vitamina C no almoço e jantar, como laranja, limão, kiwi, morango, mamão, goiaba, caju, acerola, mexerica, salsinha. Dessa forma, a absorção de ferro não é otimizada.

Alimentos ricos em ferro

Alimentos ricos em ferro desempenham um papel crucial na manutenção da saúde, fornecendo o mineral essencial necessário para a produção de hemoglobina e a oxigenação dos tecidos. Fontes de ferro podem ser divididas em duas categorias: ferro heme, encontrado em alimentos de origem animal como carne vermelha, frango e peixe, e ferro não heme, presente em alimentos vegetais como leguminosas, grãos integrais, vegetais de folhas escuras e nozes. Incorporar uma variedade de alimentos ricos em ferro em uma dieta equilibrada é fundamental para prevenir deficiências e garantir o funcionamento adequado do organismo.

O mito dos feijões e folhas verdes

É verdade que indivíduos com hemocromatose precisam gerenciar sua ingestão de ferro para evitar acúmulo excessivo, mas excluir totalmente alimentos com ferro não heme não é necessário. O ferro não heme, encontrado em alimentos vegetais como leguminosas, grãos integrais e vegetais de folhas escuras, é pobremente absorvido em comparação ao ferro heme presente em produtos animais. Além disso, esses alimentos também fornecem nutrientes essenciais, como fibras e vitaminas.

Para quem possui hemocromatose, o foco está em evitar principalmente alimentos ricos em ferro heme, como carnes vermelhas e vísceras, que são mais facilmente absorvidos. Além disso, consumir alimentos ricos em ferro não heme com moderação, não combinando-os com fontes de vitamina C, é uma boa estratégia.

A orientação de um profissional de saúde, como um médico ou nutricionista, é essencial para desenvolver um plano alimentar adequado e individualizado, que equilibre a ingestão de ferro e promova a saúde em pessoas com hemocromatose.

Recomendação diária de ingestão de ferro:

  • Homens = 6-45 mg/dia. Ideal = 8 mg/dia.
  • Mulheres < 50 anos = 18-45 mg/dia; mulheres >50 anos = 8-45 mg/dia.

Saiba mais sobre anemia ferropriva.

Saiba como se alimentar adequadamente com esse guia de alimentação para ferritina alta e hemocromatose.