Algo de muito errado está acontecendo nos atendimentos nutricionais e eu vou lhe falar sobre esse assunto contando a história de uma das Aninhas. Trata-se de uma história real de uma garota de 22 anos que foi ao consultório da nutricionista comportamental. No primeiro atendimento ela falou: “Quero o meu comportamento alimentar saudável de volta, aquele que eu tinha antes de ir aos nutricionistas”.

A história da Aninha

A Aninha foi pela primeira vez à nutricionista com uns 18 anos para emagrecer 2 Kg. O desejo dela era ficar com 58 kg. Coisas de guria dessa idade, não é mesmo? Ela recebeu do nutricionista uma dieta restritiva e, no mesmo período em que estava emagrecendo ela perdeu a avó, com a qual tinha uma ligação muito forte.

Aninha chegou aos 54 Kg, cujo peso ela gostou muito. Mas, não o manteve por muito tempo; ela foi recuperando-o aos poucos e chegou aos 62 kg. Depois disso, ela foi a outro nutricionista do qual recebeu outra dieta restritiva para emagrecer rápido com intuito de 54 Kg. Porém, ela não conseguia chegar aos 54 Kg, seu novo alvo de peso que estabeleceu como meta.

Aninha na nutri comportamental

Entre retomadas e abandonos das dietas, atualmente pesando 66 kg, Aninha foi a uma nutricionista comportamental. Ela tem consciência de que seu comportamento alimentar não está saudável. Ela disse à nutri: “eu queria muito que o meu comportamento alimentar voltasse a ser como era antes de eu ir aos nutricionistas”. Essa frase chocou. Ela continuou: “antes de ir aos nutricionistas, o fato de ter ou não ter chocolate, de ele estar ali ou não, não fazia diferença. Se eu quisesse comê-lo, eu simplesmente comia e, naquela época, eu pesava muito menos que eu peso hoje”. E ela repetiu o desejo, com um adendo: “queria meu comportamento alimentar de antes de volta, onde eu comia de tudo sem culpas e não me preocupava com o peso”.

A Aninha deveria ter sido orientada na época sobre o quão bem ela estava. Por ter sido esportista desde jovem por influência do pai que era tri atleta, ela tinha muita massa massa muscular e um peso ósseo maior do que o normal entre as mulheres. O % de gordura dela, ainda hoje com 65 kg, é bem baixo.

A Aninha não deveria ter sido encorajada a buscar um peso tão baixo como 54 Kg por diversos motivos. Primeiro: era incompatível com seu biotipo e composição corporal, ou seja, não era um peso sustentável. Segundo: ela apenas chegou àquele peso por estar passando pelo luto da avó e não tinha apetite. Agora, infelizmente, pela falta de bom senso de muitos colegas nutricionistas, a Aninha, com apenas 22 anos, já terá um trabalho imenso pela frente para recuperar o seu comportamento alimentar saudável de volta.

Dia do Nutricionista – dia 31 de agosto de 2020. Atendi essa Aninha dia 26 de agosto. Para mim não está sendo feliz, e sim vergonhoso.