Esclerose múltipla e alimentação

A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa de caráter inflamatório que agride a bainha de mielina. Esta bainha é uma capa composta por tecido adiposo que protege as células nervosas que fazem parte do sistema nervoso central, responsável pelo transporte de mensagens do cérebro para o restante do corpo. É considerada uma doença autoimune, em que o organismo perde a capacidade de reconhecimento das suas células e começa a atacá-las, resultando em destruição dos próprios tecidos pelo sistema imunológico, também conhecido como mimetismo celular.

Os sintomas da doença comprometem a qualidade de vida conforme a doença avança, e são caracterizados por paralisia, tremor, dor, ansiedade, estresse, depressão, déficit de atenção, problemas de aprendizagem, fadiga, vertigens e distúrbios visuais, chegando até a alteração no controle da urina e das fezes.

Existem vários fatores envolvidos no desenvolvimento da doença, como: desordens genéticas, dieta, cigarro, exposição a toxinas, infecção pelo vírus Herpesvírus humano 4, entre outros.

Vários estudos estão trazendo evidências de que a alimentação pode contribuir para o desenvolvimento da doença. O consumo de leite, alimentos com glúten e gordura saturada, além da presença de disbiose intestinal e deficiência de vitamina D estão ligados a alimentos que precisam ser evitados e cuidados que devem ser tomados.

Os alimentos lácteos e os ricos em glúten estão relacionados com a esclerose devido ao mimetismo molecular (capacidade de um microrganismo patogênico de criar estruturas semelhantes ao do hospedeiro) entre os antígenos presentes nesses alimentos e uma sequência de aminoácidos existentes na bainha de mielina.

Alimentos como carnes gordurosas, manteigas, óleos de dendê, o óleo de coco e seus derivados,  devem ser evitados por serem fontes ricas em gordura saturada, que altera a estrutura das membranas e favorece a entrada de antígenos na barreira hematoencefálica e pode acelerar a degradação da mielina. O consumo diário recomendado de gordura saturada  para quem tem diagnóstico de esclerose múltipla é de até  15g . Logo abaixo segue uma tabela com os principais alimentos fontes de gordura saturada e suas quantidades em 100g de alimento:

Alimentos Gordura Saturada por 100 g de alimento Calorias (kcal)
Banha de porco 26,3 g 900
Bacon grelhado 10,8 g 445
Bife de vaca com gordura 3,5 g 312
Bife de vaca sem gordura 2,7 g 239
Frango com pele assado 1,3 g 215
Leite 0,9 g 63
Salgadinho de pacote 12,4 g 512
Bolacha recheada 6 g 480
Lasanha à bolonhesa congelada 3,38 g 140
Salsicha 8,4 g 192
Manteiga 48 g 770

 

Outro cuidado ligado à alimentação é relativo à disbiose intestinal, que é o desequilíbrio da microbiota intestinal – diminuição do número de bactérias boas do intestino e aumento das bactérias “ruins”. A disbiose reduz a capacidade de absorção dos nutrientes pelo corpo, causando carências de vitaminas.

As vitaminas mais importantes para o funcionamento adequado do sistema imunológico e para os sintomas da doença são: vitaminas A e D por serem moduladoras do sistema imunológico, C, E e B12 por ser importante para a síntese de mielina. Algumas podem ser controladas por exames bioquímicos.

A deficiência de vitamina D é outro fator ligado à doença, pois a mesma interage com o sistema imunológico aumentando a tolerância às substâncias estranhas, protegendo contra a auto-imunidade e a inflamação. Além disso, tem sido observado que há receptores de vitamina D no sistema nervoso central e esta vitamina regula a produção de mielina pelos oligodentrócitos. Sendo assim, a suplementação de vitamina D pode contribuir para reduzir o progresso e prevenir o desenvolvimento da doença.

Então, para esclerose múltipla pode-se substituir os lácteos por leites vegetais, retirar a farinha de trigo da dieta por conter glúten e substitui-la por farinhas que não contenham, consumir variedades de frutas e legumes para aumentar o aporte necessário de vitaminas e minerais importantes, e para aumentar a vitamina D, pode-se tomar sol por 15 minutos em horários recomendados ou suplementar a vitamina se o profissional julgar necessário. Tenha o seu nutricionista!

By |2018-01-24T16:29:06+00:0019/10/2017|Categories: Nutrição e Saúde|