Há evidências de que uma dieta rica em fibra ou suplementada com fibras poderia reduzir os sintomas da doença diverticular e reduzir o risco para desenvolvê-la. Por isso, uma dieta rica em fibras é comumente sugerida para esses pacientes. Mas, será que o consumo de fibras traz mesmo benefício?

A dieta rica em fibras passou a ser prescrita após a recuperação por diverticulite aguda baseada na extrapolação de dados epidemiológicos. Esses dados mostravam uma associação entre dietas pobres em fibras e diverticulose.

No entanto, não há evidência científica que estabeleça um papel das fibras na prevenção de crises de diverticulite. A partir disso, vários estudos vêm sendo conduzidos há anos para tentar resolver esse impasse.

Fibras evitam diverticulite?

Uma revisão sistemática da literatura teve o objetivo de atualizar as evidências científicas da eficácia de tratamentos com fibras nesses pacientes. O objetivo do estudo era analisar se dietas ricas em fibras reduziam os sintomas e preveniam a diverticulite aguda.

Os pesquisadores reuniram diversos estudos de bases de dados científicas, como Pubmed e Scopus. Dezenove estudos foram analisados, sendo que 9 estudos utilizaram fibra dietética (dos alimentos) e 10 utilizaram suplementos de fibras. Havia bastante heterogeneidade envolvendo a quantidade e qualidade das fibras estudadas, o que dificultou a análise e comparação dos estudos.

Os principais resultados sugeriram que ambas as fibras, dietéticas e suplementos, podem ser benéficas para doença diverticular sintomática não complicada. Ambas as fibras levaram à redução dos sintomas de dor abdominal e à prevenção da diverticulite aguda.

Porém, alguns profissionais fazem o paciente “pular” de uma dieta pobre em fibra para uma dieta muito rica em fibra. Dependendo a patogênese da doença naquele paciente, como, por exemplo, paredes colônicas enfraquecidas, a fermentação de tanta fibra gerará gases e pressão dentro do intestino.

Tais efeitos precisam ser evitadas nesses pacientes, pois poderiam levar ao sangramento diverticular ou formação de novos divertículos.

Além disso, a sintomatologia de alguns pacientes com doença diverticular se confunde com os sintomas de síndrome do intestino irritável, condição que o paciente está sujeito a desenvolver após uma crise de diverticulite. Nesse caso, determinadas fibras, como as Fomaps, poderão piorar bastante o quadro devido à fermentação que sofrem no cólon pela microbiota local.

Padrão alimentar saudável

Baseado nisso tudo, achei bastante interessante esse outro estudo que vou te contar agora. Outros pesquisadores avaliariam o padrão alimentar dos participantes, e não necessariamente a quantidade do consumo de fibras.

Análises sobre padrão alimentar podem fornecer informações sobre o risco além daqueles proporcionados pelos alimentos ou nutrientes individualmente. Então, os pesquisadores examinaram se um padrão alimentar estaria associado com risco de crise de diverticulite.

Eles realizaram um estudo de coorte prospectivo com nada menos que 46.295 homens, que se iniciou em 1986 e terminou em 2012. Esses homens não tinham diverticulite nem diverticulose conhecida quando o estudo começou.

Cada participante preencheu um detalhado e completo questionário médico e dietético quando entrou para o estudo. Os pesquisadores enviaram questionários suplementares aos participantes, que relataram incidentes de diverticulite nas avaliações bienais de acompanhamento do estudo. Eles avaliaram a dieta dos participantes a cada 4 anos usando questionários validados de frequência alimentar.

Usando os componentes de análise estatística, foram identificados basicamente 2 padrões de alimentação. Um padrão de alimentação era o que eles chamaram de “ocidental” (rica em carne vermelha, cereais refinados e laticínios gordos). O outro padrão de alimentação era o que eles chamaram de “prudente” (rica em frutas, vegetais e grãos integrais).

O participantes não estavam submetidos a nenhum tipo de orientação dietética aumentada em fibras, o que poderia influenciar ou piorar o quadro desses pacientes.

Os pesquisadores concluíram que a associação entre padrões alimentares e diverticulite foi atribuída predominantemente ao consumo de fibras e de carne vermelha. Ou seja, concluíram que a dieta “ocidental” foi associada com maior risco de diverticulite, e a dieta “prudente” foi associada com risco diminuído.

Consumo adequado de fibras

Seria a carência de fibra, o consumo adequado de fibras ou consumo aumentado de fibras que traria esse benefício? Seria a falta de fibra ou o excesso de carne em relação à quantidade de fibras?

Aparentemente, o que importa é o consumo adequado seja de fibras, seja de carne.

Saiba mais sobre orientações sobre o consumo de sementes e sobre alimentação geral.

Essas orientações não dispensam avaliação e acompanhamento profissional, pois são simplificadas e não são individualizadas. Procure a orientação de um nutricionista especializado em Gastroenterologia. Nutrição e gastroenterologia: uma união muito importante!

Fontes utilizadas:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19607778/ de 2009.

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28065788/, de 2016.