Aninha estava indo em uma nutricionista comportamental para emagrecer através da mudança do comportamento alimentar e da sua relação com a comida. Após tantos anos de práticas de dietas restritivas e efeito sanfona, obedecendo ordens externas sobre o que comer, quando e quanto, ela havia se desconectado completamente do seu próprio corpo e não sabia mais ouvir, identificar os sinais do corpo, como fome física, fome emocional e saciedade.

“Aninha” – perguntou a nutri – “você sabe dizer quando está sentindo fome física e quando está sentindo desejo de comer?”. Aninha não sabia, assim como grande parte das pessoas. Ela respondeu: “Não sei, acho que não sinto fome do estômago nunca, quando eu sinto é de repente uma vontade imensa de comer”. A nutri respondeu: “Entendo, porém a fome começa de leve, com um sinal sutil de vazio no estômago, e vai aumentando com o passar das horas, ela não chega de uma hora para outra. Quando chega de uma hora para outra, ou você só está percebendo a fome quando ela já está muito grande ou o que você sente é desejo intenso de comer, que é mental, emocional, e não físico. Consegue identificar melhor?”

Aninha não conseguia. Tudo isso havia se perdido em função dos anos corridos de prática de dietas, e agora ela teria que resgatar essa conexão com o seu próprio corpo. Ela foi para casa e tentou ouvir melhor os sinais do corpo dela. Voltou na consulta seguinte ainda confusa, não entendendo muito bem o que sentia, e compartilhou isso com a nutri, que respondeu: “Está tudo bem, a questão é continuar tentando sintonizar com esses sinais. Lembra da época do rádio? A gente tinha colocar o rádio bem perto do ouvido e fazer um esforço para escutar o sinal bem baixinho da rádio para tentar sintonizar com ela. Faça de conta que os sinais do seu corpo são como sintonizar um sinal de rádio, que no momento está muito fraco e você tem que fazer um esforço para ouvir. “Treinando o seu ouvido”, você vai passar a entender e atender o que o seu corpo precisa, o sinal vai ficando cada vez mais claro e bem sintonizado”.

Aninha entendeu a analogia, e que era uma questão de tempo, paciência consigo mesma e de treino/prática. Três coisas que ela não gostava muito, por ter um perfil ansioso e, portanto, imediatista. Mas, como ela estava buscando, finalmente, pela primeira vez em sua vida, a resolução da sua relação com a comida, ela entendeu que precisava acalmar o seu imediatismo para se libertar da mentalidade de dieta, e então ter uma alimentação normal.

Para saber mais sobre a diferença entre fome, desejo e vontade, clique AQUI.

Para saber mais sobre como controlar desejos de comer, clique AQUI.

Para saber mais sobre o que é comer normal, clique AQUI.

Para saber mais sobre comer transtornado, clique AQUI.

Para saber mais sobre Mindful Eating/ Comer com Atenção Plena, clique AQUI.

Nutrição comportamental e mudança da relação com a comida: a melhor “dieta” para emagrecer.