Aninha há anos vinha tentando emagrecer. Entre idas e vindas do efeito sanfona, ela não se dava conta que uma das coisas que mais a atrapalhava era a comunicação interna que ela tinha com ela mesma. Na verdade, quase ninguém se dá conta disso. Até que um dia uma amiga dela estava com dificuldades com o emagrecimento, havia acontecido uma situação em que a amiga tinha exagerado e estava se culpando, já pensando em desistir. Aninha começou a dizer palavras de motivação para a amiga: “Calma, amiga, não fica assim, foi apenas um momento em que você se atrapalhou, isso não estragou tudo o que você vinha fazendo. É apenas um momento de desânimo, ele vai passar, você não pode desistir nele. Você tem tudo o que precisa para emagrecer, lembre de tudo que já conquistou, lembre de como você é capaz!”

A amiga ficou muito animada, e conseguiu seguir adiante com o seu dia, e ainda melhor, com o seu projeto de emagrecer. Isso deu um estalo na Aninha por que ela se deu conta que ela nunca fala consigo mesma daquela forma carinhosa, acolhedora, cheia de compaixão e motivadora.

Aninha percebeu que, quando acontecia o que ela considerava uma falha no cuidado com a alimentação dela, por ser extremamente exigente consigo mesma, aparecia na mente dela uma personagem muito tóxica: a senhora Juíza do Mal. A Juíza do Mal a flagrava comendo, a puxava pelo braço, e dizia criticando-a duramente: “Sério que você está comendo esse doce? Você não tem jeito mesmo, né! É uma fracassada, desse jeito você nunca vai conseguir. Eu te disse para não comprar essa porcaria, mas você não me ouve! Você acabará gorda, gorda e gorda! Vê se amanhã entra linha, sua preguiçosa!”

Ela se deu conta que jamais teria coragem de dizer essas palavras para alguém que amava, como sua amiga, seu namorado, seus pais…, nem mesmo para alguém que não gostasse. Mas ela dizia para si mesma! Meu Deus, o que isso significava…?

Depois da visita da Juíza do mal Aninha se sentia tão mal… se sentia triste, frustrada, desesperançosa, até com raiva de si mesma, e completamente desmotivada, claro. No fundo, a Juíza do Mal não tinha necessariamente uma intenção ruim, ela ficava observando e apontando os erros de Aninha por que que ela se tornasse uma pessoa “perfeita”, não queria que a Aninha falhasse… nunca. Era uma vigilância constante, extremamente desgastante, para ambas.

Então, ela decidiu que iria demitir a Juíza do Mal. Ela disse: você pode até ter me ajudado em alguma época da minha vida com essa sua vigilância e cobranças extremos, mas agora isso não está mais fazendo bem. Quero que você vá embora, por que vou procurar outra pessoa para te substituir. Sua metodologia está fadada ao fracasso.

Então, Aninha começou a vasculhar na sua memória personagens que a fizeram se sentir bem, acolhida, e encorajada no passado. Ela lembrou de uma professora, de uma amiga, da sua avó e de uma tia. E nisso, ela conseguiu resgatar a senhora Juíza do Amor, que se sentou ao seu lado, olhou-a carinhosamente, e a ouviu de coração aberto. Ela era completamente diferente. O tom da voz dela era calmante e suas palavras, um bálsamo.

Ela dizia: “Aninha, não fique tão aflita por esse descuido, você tem bom senso o suficiente para perceber que isso não é fim do mundo. Use esse momento de lapso para te trazer algum progresso no seu comportamento alimentar, mas não seja tão dura consigo mesma. Eu entendo que quando você fica ansiosa você come sem pensar, todo mundo precisa de um alívio não é? Que tal então desacelerar um pouco, você trabalha tanto, merece descansar!”

Com a ajuda da Juíza do Amor, Aninha foi se dando conta que não era de uma comunicação interna violenta que ela precisava ter para melhorar a sua alimentação e emagrecer, era justamente o contrário! Ela estava precisando de uma comunicação gentil e amorosa.

Nutrição comportamental e mudança da relação com a comida: a melhor “dieta” para emagrecer!