Tireoide e alimentação

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta localizada na parte anterior do pescoço responsável por sintetizar dois hormônios: a triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4). Estes hormônios tireoidianos são fundamentais no estabelecimento da taxa metabólica global, ou seja, são responsáveis pelo equilibro do metabolismo (gasto energético). Muitos ainda confundem ou não sabem o que ela é e quais as diferenças do hipotireoidismo e hipertireoidismo.

Estas disfunções têm tratamento, e o indivíduo pode levar uma vida tranquila se seguir o tratamento. Os sintomas que essas disfunções causam, são opostas, enquanto um ganha peso (até 4 Kg), o outro perde, enquanto um fica depressivo o outro fica nervoso, segue abaixo uma tabela com os sintomas de ambas as disfunções.

Hipertiroidismo: Quando os níveis de T3 e T4 estão elevados. Causa fadiga, perda de peso, intolerância ao calor, irritação, insônia, tremor, fragilidade muscular, dificuldade de respirar, palpitação, taquicardia, aumento da evacuação, irregularidade menstrual.

Hipotiroidismo: Quando o T3 está abaixo do normal. Causa fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, depressão, demência, câimbras e dores musculares, bradicardia, constipação, queda de cabelos, sudorese, irregularidade menstrual, infertilidade.

Hipotireoidismo subclínico: é quando seus exames não estão “completamente alterados” (estão limítrofes), mas já você já apresenta sinais e sintomas compatíveis com a doença: cansaço excessivo/fadiga crônica, frio, pés e mãos frias ou frio excessivo, edema, inchaço, excesso de peso, pele seca, unhas quebradiças, queda de cabelo, constipação, câimbras, problemas de memória, depressão.

Além dos medicamentos, o paciente com disfunção da tireoide deve ser orientado com relação a sua alimentação. É necessário seguir uma dieta equilibrada e orientada por um nutricionista. Seguem abaixo os principais nutrientes que não podem faltar no prato desses pacientes.

Consuma mais:

Tirosina: este aminoácido junto ao iodo, ajuda a formar tiroxina. Fontes: carne, peixe, peito de peru, banana, iogurte, etc.

Iodo: é um elemento responsável para fazer hormônios da tireoide. Você pode encontrar este mineral em sal iodado, peixes e mariscos de água salgada.

Cálcio: quando o indivíduo tiver hipertireoidismo, precisa de uma dieta rica em cálcio. Ex: vegetais verde-escuros, leite e derivados.

Selênio: este mineral ajuda regular a tiroxina, e você pode encontra-lo no frango, carne, atum, nozes, alho, cebola e, claro, na castanha do brasil, a fonte mais conhecida, em que duas unidades já fornecem a quantidade diária de selênio.

Complexo B: ajudam a manter a saúde dos nervos, pele, olhos, cabelos, fígado e boca. Fontes: banana, batata, lentilha, pimenta, óleo de oliva, peru, fígado e atum.

Alimentos ricos em proteínas de alta qualidade: a proteína é um macronutriente responsável pela reconstrução muscular e glândulas hormonais. Alimentar-se de alimentos fontes de proteínas como as carnes, leite e seus derivados ajuda a conter a letargia.

Algas marinhas: spirulina platensis, agar agar, clorela são algas importantes para o metabolismo da tireoide.

Água mineral: a água mineral não é clorada e por isso contém mais vitaminas e minerais. Veja mais sobre isso abaixo.

Quinoa ou Amaranto: contém inúmeras vitaminas e minerais para a saúde da glândula, como zinco e ômega 3.

Óleo de peixe: rico em ômega 3 é excelente e necessário para a função da tireoide.

Evite:

Água clorada: a nossa água é tratada com o cloro. O cloro compete com o iodo e acabamos consumindo excesso de cloro e falta de iodo, prejudicando o bom funcionamento da glândula. Não tome água clorada.

Suco verde: o suco verde é maravilhoso (aquele que você faz com couve e toma para desintoxicar), no entanto, para quem tem problemas na tireoide, o suco verde pode atrapalhar. Não se deve tomá-lo todos os dias, pois vegetais crucíferos (couve, couve-de-bruxelas, brócolis, repolho) na sua forma crua contém glicosinolato, que atrapalham o bom funcionamento da tireoide. Não precisa cortar da alimentação, o que não pode acontecer é o consumo diário. Na sua forma cozida, o glicosinolato perde a sua toxicidade para a tireoide, por assim dizer, pois é “desativado” com o calor do fogo.

Soja: alimentos à base de soja impedem o bom funcionamento da glândula. Fique atento e não consuma leite de soja, ou outros produtos à base de soja, todos os dias.

Glúten: pesquisas têm demonstrado que o glúten também atrapalha esse bom funcionamento da glândula. O glúten é uma proteína presente no trigo, aveia, cevada, malte e centeio.

Toxinas: as toxinas deixam a tireoide mais lenta. É necessário fazer exame laboratorial para ver como está o nível de mercúrio no sangue

Estresse: excesso de cortisol pode atrapalhar também. Avalie seu nível de estresse pois é perigoso tratar a tireoide sem tratar o estresse. Existem alimentos que combatem o cortisol elevado e para isso procure um nutricionista, pois é um tratamento sério. Saiba mais sobre como lidar com estresse AQUI.

Exames completos para saber como está o funcionamento da sua tireóide:

TSH, T4 livre, T3 livre, Anti-TPO (anticorpos contra a tireoide), TRH, Urina 24h para o T3 livre (para o caso de difícil diagnóstico).

Tireoidite de Hashimoto

Também é conhecida como tireoidite linfocítica crônica. Trata-se de uma doença autoimune, cuja principal característica é a inflamação da tireoide causada por um erro do sistema imunológico. A tireoide de Hashimoto acontece quando anticorpos atuam contra organismos que eles detectam como sendo idênticos a proteínas normalmente alergênicas que nós consumimos, como é o caso do glúten e do leite (devido semelhança) que “lutam” contra a glândula da tireoide, atacando-a.

A presença de anticorpos contra a tireoide faz parte do seu diagnóstico e sua presença tem forte componente genético. Esses anticorpos provocam a destruição da glândula ou a redução da sua atividade, o que normalmente pode levar ao hipotireoidismo por carência na produção dos hormônios T3 e T4. Quando detectado precocemente é possível fazer com que haja redução dos anticorpos, e assim minimizem ou não ataquem a tireoide. Se estiver em um quadro inicial pode ocorrer o hipertireoidismo, pois como há destruição das células tireoidianas, há grande liberação dos hormônios, e esses em grande quantidade, podem causar o hipertireoidismo inicial (muitos nem sequer tem essa sintomatologia e não percebem essa fase), mas logo se torna hipotireoidismo, pois começam a faltar células e hormônios com sua destruição!

Alguns casos passam pela Tireoidite de Hashimoto sem nunca ter evoluído com hipotireoidismo. A doença parece ser mais comum em algumas famílias, o que pode indicar um fator genético. Acomete também mais as mulheres do que os homens, e sua prevalência aumenta à medida que as pessoas envelhecem. Como não existem sinais e sintomas “típicos” da tireoidite de Hashimoto, a doença tem uma evolução lenta e só é possível detectar que você está com alguma coisa quando o hipotireoidismo está instalado. Dentre esses sintomas, está o cansaço excessivo, a depressão, a pele seca e fria, a prisão de ventre, diminuição da frequência cardíaca, decréscimo da atividade cerebral, voz mais grossa, mixedema (edema duro no pescoço), diminuição do apetite, sonolência, reflexos mais vagarosos, intolerância ao frio, ganho de peso, cãibras e alterações na menstruação e na potência da libido dos homens. Com a progressão da doença, os sintomas se agravam e a pessoa se sente cada vez mais cansada e com menos energia, apresentando também o aumento do tamanho da tireoide e, consequentemente, a formação do bócio.

O tratamento quase sempre é longo e exige a dosagem do nível dos hormônios algumas vezes por ano, quando necessário. Os portadores da tiroidite de Hashimoto podem se beneficiar ao retirar o glúten e a lactose da dieta, incluindo produtos que contenham vitamina D e B, além da suplementação de selênio (150 mcg). É importante uma dieta rica em fibras, para acelerar o transporte do bolo alimentar/fecal pelo sistema gastrointestinal. Isso poderá reduzir a exposição a toxinas. A fibra também se liga à gordura e ao colesterol, reduzindo o risco de doenças cardiovasculares. Uma dieta rica em fibras deve incluir mais de 25 gramas de fibra por dia. Ela deve ser tanto insolúvel (não se dissolve em água) e solúvel (dissolve-se na água). Essa dieta geralmente inclui uma grande variedade de frutas e legumes com cascas, quando possível. Outros alimentos ricos em fibras incluem as frutas secas, feijão, nozes, cereais e produtos integrais. Pelo fato do paciente apresentar comprometimento imunológico, uma dieta de alta qualidade é fundamental para a manutenção da saúde.

Disfunções da tireoide, como muitas doenças em nosso organismo, o portador não deve se abdicar de uma boa alimentação e de uma vida normal e feliz. Deve-se sim ter uma dieta saudável e equilibrada e seguir seu tratamento. Procure um nutricionista para melhor orientá-lo e sanar suas dúvidas.