Parente é serpente

O psiquiatra Arthur Kaufman escreveu um texto chamado “Parente é serpente”, mostrando como a família pode atrapalhar o nosso emagrecimento.

Você pode pensar: “Mas, como assim? Eu tenho um super apoio da minha família!”, ou “Eles querem o meu bem”, ou “Eles ficam com pena de mim”. Bem, segundo o psiquiatra, existem familiares que podem nos sabotar sem nós percebermos. Existe, por exemplo, o modelo de cônjuge, de pais e de amigos “engordativos”. No texto ele traz vários exemplos, como:

– A sabotagem social contra o gordo, que normalmente é convidado para jantares com cardápios bem calóricos ao invés de o incentivarem recebendo-o com um prato menos calórico.

– Famílias que apoiam o emagrecimento, mas que podem criar problemas ao que quer emagrecer. Exemplo: um casal que tenha duas filhas adolescentes, uma magra e outra gorda. Durante a dieta, será comum os pais comprarem biscoitos para a filha magra com a desculpa de que ela não pode ficar sem consumir os biscoitos, mesmo sabendo que quem comerá os biscoitos em grandes quantidades será a filha gorda. Para o psiquiatra, alguns pais (sem generalizar) inconscientemente querem que a filha continue gorda, pois assim ela continuará dependente deles por mais tempo.

– Maridos “engordativos”. Há homens que reclamam que a mulher está enorme, que antes de casar ela não era assim, e ficam comparando-a com a vizinha bonitona. Assim que a esposa começa a emagrecer ele a elogia às vezes, mas de repente, começa a trazer doces para a casa, ou convidá-la para jantar em churrascaria, pizzaria, etc. Fala que já emagreceu o suficiente (mesmo ainda estando acima do peso) e que sair para jantar não irá prejudicar a sua silhueta e assim, lentamente ela recupera a sua velha forma.  Outro exemplo de marido “engordativo” é o “bonachão”: quando a esposa começa a emagrecer e está recuperando a sua feminilidade, normalmente ela quer uma vida sexual mais ativa. Só que o marido não quer, não aguenta ou tem uma outra relação. Se a mulher cobrar atenção e não ser correspondida, pode ficar infeliz, voltar a engordar e o casamento pode se abalar. Um último exemplo de marido “engordativo”, é aquele que quando a mulher começa a emagrecer quer saber se ela está interessada em outra pessoa. Ele não acredita que ela queira emagrecer para ele. É um marido que pode mudar de comportamento, chegando muitas vezes até a bater na esposa. Aí ela desanima, deprime e engorda novamente.

Essas manipulações em geral só ficam mais claras por meio da psicoterapia. Dentro da dinâmica familiar as pessoas desempenham certos papéis que os psiquiatras chamam de “mitos familiares”.

Exemplificando, se em uma família alguém é denominado de gordo, os outros se definem como não-gordos, e descarrega-se nele toda a carga de preconceitos. O emagrecimento causa alterações de comportamento e rotina, muitos ficam mais agressivos por estar deixando de usar a comida para aplacar a raiva e começam a lidar com o que os incomoda se impondo, e os familiares podem não gostar dessa nova atitude, desse novo jeito de ser do obeso. Se o obeso não tiver pulso firme para aguentar as reações dos parentes, poderá desistir e engordar novamente.

Segundo Kaufman, “o gordo é bode expiatório”. Além dos sofrimentos físicos a que muitas vezes se submetem para emagrecer a qualquer custo, também são vítimas de uma pressão velada, psicológica, exercida dentro de casa, pela família.

E você? Conhece algum parente cujas atitudes se encaixam como serpentes?!

By | 2017-10-02T16:21:48+00:00 30/09/2017|Categories: Emagrecimento, Reeducação e Comportamento Alimentar|Tags: , |