O que é hemocromatose, o que ela causa?

Hemocromatose é um transtorno que interfere no metabolismo do ferro provocando grande acúmulo desse elemento no organismo. O excesso de ferro resulta em danos teciduais e prejuízo funcional dos órgãos envolvidos, especialmente fígado, pâncreas, coração e hipófise.

Os principais sinais e sintomas: dores nas articulações, fadiga, falta de energia, perda de peso, mudança na coloração da pele (tonalidade bronzeado), dor abdominal, perda do desejo sexual, atrofia testicular, perda de pêlo corporal, problemas cardíacos, sintomas relacionados com o início do diabetes.

O consenso internacional sobre Hemocromatose, organizado pela Associação Européia para o Estudo do Fígado, NÃO indica a adoção de dieta estritamente pobre em ferro, mas recomenda evitar alimentos com alto teor do mineral (vide tabela abaixo), suplementos de ferro e vitamina C (que aumenta a absorção intestinal de ferro), bebidas alcoólicas (que podem acelerar o dano hepático) e frutos do mar (principalmente ostras cruas), responsáveis por casos de infecções fatais geradas por sua contaminação com Vibrio vulnificus em pessoas com hemocromatose.

O excesso de ferro no sangue é medido pelo exame de ferritina, que mostra o nosso estoque de ferro. O excesso de ferro no sangue é mais comum em homens do que em mulheres. Quando acontece em mulheres normalmente é naquelas em que o fluxo menstrual é muito pequeno ou que não menstruam. Para os médicos, entre os homens, níveis de ferritina maiores de 800 já são considerados bastante preocupantes e, entre as mulheres, acima de 400. Nesses casos, os pacientes são normalmente encaminhados ao hemotologista para realizar exames mais específicos e para saber se há genética para a doença hemocromatose. O tratamento costuma ser sangria (retirar sangue periodicamente).

Substâncias que dificultam a absorção do ferro nas refeições e que podem quelar o mineral:

  • fitatos (encontrados em cereais e grãos)
  • fibras (encontradas em farelos, cereais e grãos integrais, frutas e verduras)
  • taninos (encontrado em chás e no café)
  • cálcio (competem pelos mesmos sítios de absorção)
  • ácido oxálico (encontrado no espinafre forma sais insolúveis com o ferro dificultando a absorção do mineral).

Evitar alimentos ricos em Vit C nas refeições principais (café da manhã, almoço e jantar): brócolis cru, laranja, limão, kiwi, morango, mamão, goiaba, caju, acerola, mexerica, salsinha.

Tabela de alimentos e teor de ferro em ordem decrescente (do alimento mais rico para o menos rico em ferro):

Alimento (100g) Teor de ferro Alimento (100 g) Teor de ferro
Melado de cana 22,3 FNH Acelga, folhas e talos 3,6 FNH
Flocos de cereais 12,5 FNH Folhas de beterraba 3,1 FNH
Fígado de boi cru 12,1 FH Pimentão maduro cru 2,9 FNH
Açaí 11,8 FNH Ovo inteiro cozido 2,7 FH
Melaço 7,4 FNH Agrião 2,6 FNH
Folha de abóbora 5,5 FNH Beterraba crua 2,5 FNH
Soja (média) 5,4 FNH Lentilha seca cozida 2,4 FNH
Gema de ovo cozida 4,8 FH Broto de bambu 2,5 FNH
Carne de boi cozida 3,8 FH Carne de frango assada 2,0 FH
Sardinha 3,8 FH Feijão cozido 1,0 FNH

Legenda:

FH = ferro heme: de origem animal com ótima absorção, mesmo sem vit C.

FNH = ferro não-heme: ferro de origem vegetal, tem baixa absorção pela presença das substâncias que prejudicam a absorção do ferro; necessitam de vit C para absorção.

Recomendação diária de ingestão de ferro:

  • Homens = 6-45 mg/dia. Ideal = 8mg/dia.
  • Mulheres < 50 anos = 18-45 mg/dia; mulheres > 50 anos = 8-45 mg/dia.