Nutrição Funcional: o que é e como funciona?

Nutrição Funcional é uma área da nutrição especializada em trabalhar com os alimentos funcionais (aqueles que além de nutrir, previnem ou auxiliam o tratamento de doenças) e dedica-se à prevenção, à avaliação precoce e ao manejo otimizado das doenças, corrigindo ou amenizando os desequilíbrios clínicos. A Medicina Funcional, apesar de ser muito recente no Brasil (desde 2003), é comum nos Estados Unidos, Canadá e Europa.
A Nutrição Funcional trata e previne de maneira dinâmica desordens crônicas complexas através da detecção e correção dos desequilíbrios que geram as doenças. Estes desequilíbrios ocorrem devido a inadequação da qualidade da nossa alimentação, do ar que respiramos, da água que bebemos, dos exercícios (a mais ou a menos) e alterações emocionais que passamos.
Estas “inadequações” são consideradas de acordo com a individualidade genética que ocorre em cada um de nós. Vamos a alguns exemplos: enquanto um indivíduo é alérgico a camarão o outro não é. Enquanto para um o café pode gerar dor de cabeça e insônia, para outro não. Enquanto um necessita de mais zinco (ex: 25mg) para produzir ácido suficiente em seu estômago, o outro precisa de menos (ex.: 10mg). Enquanto um precisa de mais ômega 3 para manter os triglicerídeos e o HDL em níveis adequados, o outro precisa de menos.
Da mesma forma que os dados e comandos que colocamos em um computador determinarão o funcionamento desta máquina, as informações que colocamos em nosso organismo, determinarão o seu funcionamento. Os nutrientes (sejam bons ou ruins, equilibrados ou desequilibrados), toxinas, hormônios e neurotransmissores são as “informações” que colocamos em nosso corpo diariamente. Caso você não goste de como sua máquina está funcionando, mude as informações que oferece a ela! Melhor ainda, “contrate” um programador, o nutricionista funcional, para lhe ajudar nesta tarefa!
A Nutrição Funcional considera a interação entre todos os sistemas do corpo, incluindo as relações que existem entre o funcionamento físico e aspectos emocionais.
A Nutrição Funcional possui 5 princípios básicos:

  1. Individualidade bioquímica: Desde pequena(o), você não ouviu sempre dizer que em todo o planeta não há ninguém igual a você? Pois é, todo mundo sabe disso. No entanto, na hora de nos olharmos “por dentro”, em nossa saúde, os profissionais nos tratam como se fossemos todos quase iguais! A interação de nossa genética única, de nossa alimentação e de elementos ambientais (toxinas, poluentes, estresse mental, atividade física) irão “modular” nossos genes determinando quais “falarão mais alto”, ou quais ficarão “calados”. O que todos desejamos, é “calar” os genes associados a doenças, e “deixar falar” os genes associados à saúde! Este princípio irá nortear a terapia nutricional, que deverá sempre levar em consideração as necessidades individuais, bem como sinais e sintomas apresentados por você. Não podemos esquecer que grande parte da expressão de nossos genes depende do meio ambiente. Assim, podemos apresentar necessidades e carências de acordo com o ambiente em que estamos.
  2. Tratamento centrado no paciente: O tratamento é direcionado ao paciente e não a doença, ao oposto da medicina tradicional. Torna-se mais importante saber que paciente tem a doença do que saber que doença o paciente tem. O indivíduo é abordado como um todo, um conjunto de sistemas que se inter-relacionam e que sofrem influências de fatores ambientais, emocionais, alimentares, historia individual de patologias e uso de medicamentos, hábitos de vida e atividade física, por exemplo.
  3. Equilíbrio nutricional e biodisponibilidade de nutrientes: Se torna importante a oferta de nutrientes em quantidades adequadas e em equilíbrio com todos os outros, para que haja otimização da sua absorção e aproveitamento pelas células.
  4. Interrelações em teia de fatores fisiológicos: todas as funções de nosso corpo estão interligadas. A teia da Nutrição Funcional considera a interrelação mútua de todos os processos bioquímicos internos, de forma que um influencia o outro, gerando desordens que abrangem os diversos sistemas. Hoje sabemos, por exemplo, que disfunções imunológicas podem promover doenças cardiovasculares, que desequilíbrios nutricionais provocam desequilíbrios hormonais e que exposições ambientais podem precipitar síndromes neurológicas como a doença de Parkinson. A teia conduz a organização do raciocínio na busca da compreensão dos desequilíbrios que estão nas bases funcionais do desenvolvimento das condições clinicas (i.e. doenças), corrigindo a causa, ao invés de apenas os sintomas genéricos.
  5. Saúde como vitalidade positiva: a saúde não é meramente a ausência de doenças, e sim o resultado de diversas relações entre os sistemas orgânicos, por isso devemos analisar os sinais e sintomas físicos, mentais e emocionais que podem estar nas bases dos problemas apresentados.

 

Fonte: Texto traduzido pelo Nutricionista Funcional Gabriel de Carvalho, a partir do site http://www.functionalmedicine.org. Gabriel de Carvalho foi meu professor; é membro fundador e presidente (2004-2006; 2006-2008) do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional (www.cbnf.com.br) e professor e organizador, junto com a Nutricionista Funcional Valéria Paschoal, do curso de Pós Graduação em Nutrição Clínica Funcional (WWW.vponline.com.br) onde fiz minha especialização.

By |2017-03-17T11:39:30+00:0017/03/2017|Categories: Alimentação, Nutrição e Saúde|Tags: , , |