Como se alimentar corretamente quando diagnosticado com Diabetes Mellitus?

Diabetes é uma doença silenciosa, que começa com os sintomas da hiperglicemia (elevação da glicemia no sangue), e que muitas vezes não são levados muito à sério: como urinar bastante, aumento da sede, fraqueza muscular, cansaço, muita fome acompanhado de emagrecimento sem razão, coceira (genital, inclusive) náuseas, vômitos, dores abdominais, câimbras, hálito cetônico (de “maçã passada”), ferimentos que não cicatrizam. O que “normaliza” a glicose é o cuidado com alimentação e o uso de medicamentos ou insulina, prescritos conforme cada caso. Coloquei a palavra “normaliza” entre as aspas por que tem muitos pacientes que são diagnosticados, cuidam a glicose por um tempo e, tendo a glicose normalizado, eles acreditam não ser mais diabéticos. Mas tendo sido diagnosticado com diabetes, você será para sempre diabético e terá que cuidar-se para sempre (exceto diabetes gestacional, que pode reverter, mas vir a se manifestar novamente mais tarde).

No entanto, a hipoglicemia também é muito perigosa, pois pode levar ao coma diabético, que pode ser fatal. Os sintomas da queda de glicose no sangue são parecidos com os da pressão baixa. Os sintomas são: suor frio, sensação pegajosa, tremores, vertigens, sensação de fraqueza, irritação e impaciência, nervosismo, dor de cabeça, fome, visão turva ou visão dupla, formigamento nos lábios e ponta dos dedos, confusão mental, inconsciência (por falta de glicose no cérebro). O que fazer na hipoglicemia? Ingerir qualquer alimento com 15g de carboidrato, como ½  copo (120 ml) de suco de laranja ou maçã, de preferência adoçado, ou 3 balas macias, ou 2 pacotinhos de açúcar, ou 2 colheres de chá rasas de mel. Acalmar-se e deitar ou sentar, se após 10 a 15 minutos os sintomas não melhorarem, ingira mais algum alimento doce.

Procure evitar ou retirar da alimentação:

  • Alimentos fontes de carboidratos simples: açúcar branco e mascavo, mel e melado, balas, bolos, doces em geral.
  • Alimentos fontes de carboidratos refinados (pães brancos, massas, bolachas, bolos feitos com farinha de trigo branca, etc).
  • Bebidas alcoólicas, refrigerantes, sucos prontos e artificiais. Uma alternativa de líquido mais saboroso para beber livremente são as águas aromatizadas. Veja AQUI algumas receitas de como prepará-las.
  • Alimentos fontes de gordura saturada, como carnes gordas, manteiga, óleos de dendê, leite integral, bacon, torresmo, embutidos (linguiça, salame, presunto, salsicha e mortadela). Evitar frituras. Gordura hidrogenada vegetal que normalmente está presente dos alimentos industrializados, tortas industrializadas, bolos, fast foods, pipoca de micro-ondas, sorvete de massa, biscoitos salgados, recheados e do tipo waffer são fontes de gordura trans.
  • Adoçantes a base de frutose, sorbitol e manitol.
  • Alimentos que contenham “sal escondido”: embutidos, conservas, enlatados, defumados, salgados de pacote, macarrão instantâneo, pipoca para microondas, temperos em cubos ou sachê e molhos prontos. Os produtos diet ou light também podem conter teores elevados de sódio, sendo, portanto, fundamental consultar as informações nutricionais nos rótulos para fazer escolhas adequadas.

Prefira sempre:

  • Refeições freqüentes, de 3 em 3 horas (ou 4 em 4 horas), mas de menor volume, para evitar hipo e hiperglicemia.
  • Não pular refeições. Realizá-las nos horários corretos.
  • Os alimentos diet, light ou zero podem ser indicados no contexto do plano alimentar e não utilizados de maneira exclusiva, e sempre cuidando a quantidade de gorduras nos produtos (a indústria aumenta a quantidade de gordura para compensar o sabor da retirada do açúcar).
  • Os adoçantes artificiais acessulfame-K, aspartame, sacarina, sucralose e neotame são seguros, inclusive durante a gestação, e podem ser utilizados com moderação.
  • Consumir alimentos integrais (pães, arroz, biscoitos) e ricos em fibras (mandioca, batata doce, quinoa).
  • Escolher apenas um carboidrato complexo nas refeições, e consumir com moderação.
  • Comer sempre, todos os dias, 1 porção de leguminosa: feijão, lentilha, grão de bico, vagem, ervilha ou soja (se orgânica, melhor).
  • Consuma alimentos grelhados, assados ou refogados com o mínimo de óleo. Preferir óleo de algodão ou de arroz para cozinhar.
  • Quanto à forma de preparo dos alimentos, deve-se dar preferência aos grelhados, assados, cozidos no vapor ou até mesmo crus.
  • Consumir azeite de oliva extra-virgem frio (na salada).
  • Consumir peixes gordos não de cativeiro 1 a 2 vezes na semana (sardinha, atum, salmão, cavala), alternando com carnes brancas magras (peito de frango, coxão-duro e patinho).
  • Comer os vegetais crus, todos os que forem possíveis.
  • Consumir frutas variadas, porém não em excesso ou juntas, como na salada de frutas. Consumir 3 frutas ao dia em horários diferentes, se for com alguma fonte de fibra (aveia, linhaça, chia, quinoa, amaranto) ou oleaginosa (castanhas, nozes, amêndoas…), melhor.
  • Consumir a fruta inteira ao invés do suco.
  • Consumo de batata Yacon (1 fatia crua ao dia).
  • Consumir 2 colheres de sopa de fibras ao dia, como farelo de trigo ou de arroz, farinha de sementes de linhaça, de casca de maracujá, aveia misturando-os na comida, nas frutas, iogurtes desnatados.
  • Consumir 1 abacate por semana (½ num dia, ½ no outro), com limão, leite desnatado ou fibras.
  • Consumir 1 porção de oleaginosa ao dia (3 castanhas do pará, 7 de caju, 13 amêndoas ou 2 nozes).
  • Receita de suco verde: suco de 1 limão (ou laranja, maçã, melão…) + 1 folha pequena de couve + água para diluir e adoçante a gosto ou adoçar com meia banana pequena madura. Liquidificar bem, não coar. Beber 1 a 2 copos ao dia.
  • Observar o índice glicêmico (IG) e a carga glicêmica (CG) dos alimentos pode ajudar no controle glicêmico.
  • Temperar os alimentos com temperos naturais. Veja AQUI e AQUI algumas dicas.
  • Manter o peso corporal dentro da normalidade ajuda a controlar a doença.
  • Fazer atividade física regular orientada por profissional, ajuda no controle da glicemia.

A alimentação indicada ao diabético é a mais saudável que existe! O diabético deve ficar atento não apenas à quantidade e tipo de carboidrato que consome, mas também à quantidade e tipo de gorduras. Quanto mais natural, melhor! 😉