Doença do refluxo gastroesofágico? A alimentação pode ajudar muito!

Eu, como nutricionista mestre e doutora em Gastroenterologia, afirmo: a alimentação contribui demais para a melhora dos sintomas. O paciente que apenas usa a medicação prescrita sem uma orientação formal de nutricionista sobre a alimentação e sobre o comportamento alimentar continua a ter sintomas, na maior parte dos casos. O comportamento alimentar (a maneira como a pessoa se alimenta) é um fator de extrema importância. Bem, vamos às dicas:

Sobre líquidos:

Evite beber líquidos durante ou próximo às refeições. Então, mantenha boa hidratação corporal bebendo líquidos nos intervalos entre as refeições. A ingestão de alimentos muito quentes ou muito gelados pode causar desconforto, depende de cada paciente. Bebidas alcoólicas, líquidos contendo gases ou fermentados, sucos cítricos conforme a sua tolerância.

Sobre deitar-se:

Deite-se na horizontal 2-3 horas após a última refeição. Eleve a cabeceira da cama 15 a 20cm, pois facilita o esvaziamento gástrico e evita que o conteúdo do estômago reflua. Durma virado para o lado esquerdo.

Sobre alimentos:

Evite os seguintes alimentos abaixo (antes veja quais realmente te causam desconforto, pois vários alimentos saudáveis estão listados):

Alimentos que retardam o esvaziamento gástrico: os gordurosos, fritos e o excesso de carne.

Alimentos que diminuem a pressão do Esfíncter Esofagiano Inferior: chocolate (fonte de metilxantina), álcool, condimentos e carminativos (canela, cravo, hortelã, menta, pimenta), cafeína (café, chá, chá preto, chimarrão, refrigerantes a base de cola, doce), doces concentrados (geleias, compotas…), frutas cítricas (limão, laranja, abacaxi, tomate, molho de tomate…), alimentos gordurosos. Mesmo café descafeinado pode causar desconforto, consuma apenas se tolerar.

Alimentos ricos em purina: molhos e extratos de carne vermelha.

Alimentos de difícil digestibilidade, flatulentos, fermentáveis: abacate, agrião, alho, alimentos gordurosos, banana d’água, batata-doce, bebidas gasosas, bebidas fermentadas tipo cerveja, brócolis, carnes gordas, cebola, creme de leite integral, couve-flor, couve, doces concentrados, embutidos, fava, feijão, frutas oleaginosas, goiaba, grão-de-bico, jaca, lentilha, melão, melancia, milho verde, molhos concentrados, nabo, ovo cozido, pepino, pimentão, queijos concentrados tipo Roquefort e parmesão, rabanete, refrigerantes, repolho, uva, vísceras.

Atenção! Para identificar quais alimentos te causam desconforto, faça um diário alimentar!

Outras orientações:

Pare de fumar. Evite esforços físicos excessivos, principalmente próximo às refeições. Evite roupas apertadas na cintura. Mantenha peso adequado. Evite bebidas alcoólicas.

Fracione sua dieta, realizando várias refeições ao dia, comendo volumes menores cada vez para evitar que a distensão gástrica provoque o refluxo. Coma devagar e mastigue bem os alimentos para não sobrecarregar a atividade do seu estômago. Prefira ambientes calmos para se alimentar e reserve tempo suficiente para a refeição.

Alguns casos podem necessitar o espessamento da alimentação – alimento mais viscoso é menos provável de ser refluído.  Nesse caso os alimentos devem ser bem cozidos e com preparações sob a forma pastosa, evitando a forma líquida.

Mascar chiclete (não de menta) aumentará a produção de saliva e poderá diminuir a acidez no esôfago.

Nutrição e gastroenterologia: uma união muito importante!

By |2017-04-10T08:37:24+00:0002/02/2016|Categories: Alimentação, Nutrição e Saúde|Tags: , , , , , |