Alimentação para prevenir formação de cálculos renais

A nefrolitíase acomete cerca de 10% das pessoas que vivem em países desenvolvidos, e sua incidência tem aumentado em função da alimentação “moderna” e aumento de obesidade. Apesar de a composição da urina ser influenciada por diversos fatores, ela é grandemente determinada pela composição da dieta do indivíduo.

A dieta típica de países industrializados, rica em sódio, em produtos de origem animal e bebidas adoçadas com açúcar e frutose, tem como consequência uma elevada excreção de cálcio, oxalato e fósforo e uma diminuição do citrato e pH urinários, favorecendo, assim, a formação de cálculos.

As recomendações da sua dieta devem ser baseadas em um exame de urina de 24 horas e de acordo com o tipo de cálculo que você produz. As orientações dietéticas para os formadores de cálculos de oxalato de cálcio não são as mesmas para os formadores de cálculos de ácido úrico. E, aqueles que produzem cálculos de origem infecciosa (estruvita), na verdade não foi identificada nenhuma influência da dieta.

De qualquer forma, um hábito aconselhado a todos os formadores de cálculos é manter boa ingestão de líquidos, para diminuir a concentração dos componentes litisiásicos. Ainda não há uma quantidade exata estabelecida pelos estudos, mas o mínimo deve ser de 30 ml de água por Kg de peso, e que seja bebida ao longo do dia, de maneira bem distribuída.

A alimentação equilibrada é a outra estratégia recomendada.  Estudos mostram que pessoas que consomem alimentos fontes de magnésio (veja AQUI fontes desse nutriente), frutas, verduras frescas, e fibras provenientes de alimentos integrais, estão mais protegidos da formação de cálculos. Além disso, as pessoas que apresentam alto consumo de carnes (>100g/dia) desenvolviam muito mais cálculos.

Além disso, a presença de obesidade e hipertensão arterial estão estreitamente relacionados com o desenvolvimento de cálculos renais.

Resumindo, para evitar crises, aumente o consumo de água, de frutas, verduras, alimentos integrais, reduza o consumo de sal (e sódio – veja AQUI fontes de sódio) e carnes, o seu peso corporal, e limite a ingestão de vitamina C e sucos de frutas. O consumo de lácteos (leite, queijo e iogurte) deve ser limitado a 3 porções por dia. Busque orientação do nutricionista para lhe fornecer um plano alimentar com no máximo 100g de proteína. Se tornar ovolactovegetariano parece ser uma boa estratégia.

Atenção! Cuidado com dietas hiperprotéicas, seja para emagrecer ou aumentar massa muscular, e suplementos protéicos, pois se você tem tendência a formar pedras, as chances de uma nova crise são grandes, a não ser que o seu médico nefrologista tenha liberado. No entanto, mesmo que você nunca tenha tido cálculo renal, e nem tenha hereditariedade, você pode vir a desenvolver conforme a dieta que você pratica. E lembre-se, a dieta deve ser orientada conforme o tipo de cálculo renal. Quando o cálculo é retirado ele deve ser mandado para análise.

Os sintomas de pedras nos rins podem ser:

  • Dor muito intensa no fundo das costas;
  • Queimação ao urinar;
  • Urina escura ou com sangue;
  • Náuseas e vômitos;
  • Febre e calafrios;

Se você está em crise, não beba muito água pois vai piorar a dor. A recomendação da ingestão de água é para as períodos fora da crise. Suco de laranja, limão e chá quebra pedra podem ajudar a eliminar pedras pela urina em momentos de crise. No entanto, no momento da crise você deve procurar ajuda médica o quanto antes.

Alguns vegetais também devem ser evitados na forma crua: escarola, espinafre, escarola, salsinha, ruibarbo, almeirão. Cozinhe e despreze a água do cozimento. Dessa forma, o oxalato contido nesses alimentos que levam à formação de pedras são diminuídas. Outros alimentos ricos em oxalato e devem ser evitados: amendoim, nozes, pimenta, carambola, farelo de trigo e chás. Se você gosta muito e chás, beba com moderação e faça chás fracos para ter menor concentração de oxalato. Evite também o caldo da carne (aquele caldinho do cozimento da carne), pois contém bastante purina, que leva à formação de ácido úrico.

Dica extras: se você é gestante, faça um exame de urina simples, o EQU, pois nele é possível detectar formação precoce de pedras nos rins. Isso é importante por que crise de pedra nos rins na gestação é de difícil controle, por que a gestante não pode consumir medicamentos fortes para dor entre outros. Se você fez ou faz dietas da moda, como a das proteínas ou low carb, faça também um exame de urina (EQU).

Não deixe de procurar um nutricionista para obter orientações mais detalhadas e específicas para você.